Pela quarta vez na história das Copas, a equipe campeã foi eliminada na primeira fase. No resultado mais chocante do Mundial da África do Sul até agora, a Itália perdeu por 3 a 2 para a Eslováquia no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, e caiu de forma humilhante quatro anos após ser tetra na Alemanha.
O resultado mancha a geração que foi campeã na Copa do Mundo de 2006. Buffon, Cannavaro, Pirlo, Gattuso e o técnico Marcello Lippi, entre outros, voltam para casa derrotados em um dos grupos considerados mais fáceis do torneio antes da competição.
Até agora apenas três seleções campeãs mundiais tinham sido eliminadas na primeira fase de uma Copa: a própria Itália, em 1950, o Brasil, em 1966, e a França, em 2002. Com o resultado, o Brasil se garante pelo menos até 2014 como o maior vencedor da história dos Mundiais. Isso ocorre porque, tirando os italianos, todas as outras seleções têm pelo menos dois títulos a menos que a seleção brasileira.
Com o resultado, a Eslováquia se classificou na segunda posição do grupo, com quatro pontos. O Paraguai ficou em primeiro após empatar com a Nova Zelândia por 0 a 0 e chegar aos cinco pontos. Os neozelandeses terminaram o grupo na terceira posição, com três pontos, enquanto a Itália ficou no último lugar, com dois.
Pouco inspirada desde o princípio do jogo, a Itália se mostrou muito tensa logo nos primeiros minutos, com passes errados e medo de avançar ao ataque. Com isso, deu a primeira chance a Hamsik aos 5min, mas o eslovaco chutou para fora.
O nervosismo no Ellis Park não deixava a partida pouco disputada, mas eram raros os lances de habilidade. O gol, inclusive, saiu em uma falha da defesa italiana. De Rossi errou um passe na defesa, a bola sobrou para Vittek, que chutou bem no canto de Marchetti.
A falta de força ofensiva da Itália era impressionante. Mesmo após o gol, a Eslováquia não se sentiu pressionada, e a melhor chance italiana saiu em uma falha da zaga eslovaca. Após cruzamento, o zagueiro Martin Skrtel cortou de cabeça, mas a bola passou muito perto do gol de Mucha.
Aos 47min, a Eslováquia quase fez o segundo. Após cobrança de falta que não deu certo. Kucha chutou de primeira, e a bola passou raspando a trave italiana. Ao final do primeiro tempo, as expressões de desespero de Andrea Pirlo e Gianluigi Buffon no banco de reservas eram emblemáticas.
No intervalo, Lippi colocou Quagliarella e Maggio nos lugares de Gattuso e Criscito, mas nada mudou nos primeiros minutos, com uma incrível falta de criatividade da Itália. Assim, a solução foi colocar Pirlo em campo aos 11min.
Em seguida, Di Natale teve duas boas chances, mas aos 22min veio a lance mais polêmico do jogo. Após cruzamento, Quagliarella chutou sem goleiro. A bola bateu no zagueiro Skrtel em cima da linha. Os italianos reclamaram muito de que a bola teria entrado, mas o árbitro não marcou o gol.
Pouco tempo depois, a Itália desabou. Aos 28min, Hamsik cruzou rasteiro e Vittek marcou o gol: 2 a 0.
Um fio de esperança veio aos 35min. Após boa tabela, Quagliarella chutou, Mucha espalmou para o lado e Di Natale marcou. Aos 40min, ocorreu o lance mais tenso do jogo. Quagliarella completou para o gol um cruzamento de Di Natale, mas o bandeira marcou impedimento.
O desastre se concretizou aos 43min. Após cobrança de lateral, Kopunek, que acabara de entrar, fez 3 a 1. Aos 46min, Quagliarella marcou um golaço por cobertura, mas era tarde demais. No último minuto, Pepe chutou para fora a última chance de redenção da Azzurra.
FICHA TÉCNICA
ESLOVÁQUIA 3 X 2 ITÁLIA
Local: Estádio Ellis Park, em Johanesburgo (África do Sul)
Data: 24 de junho de 2010, quinta-feira
Horário: 11h (de Brasília)
Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Assistentes: Darren Cann e Michael Mullarkey (ambos da Inglaterra)
Cartões amarelos: Mucha, Strba, Vittek e Pekarik (Eslováquia); Chiellini, Cannavaro e Quagliarella (Itália)
Gols:
ESLOVÁQUIA: Vittek, aos 24min do primeiro tempo e aos 28min do segundo tempo; Kopunek, aos 43min do segundo tempo.
ITÁLIA: Di Natale, aos 35, Quagliarella, aos 47min do segundo tempo.
ESLOVÁQUIA: Mucha; Zabavnik, Skrtel, Durica, e Pekarik; Srtba (Kopunek), Sestak, Kucka, Stoch, Hamsik e Vittek (Sestak); Jendrisek (Petras)
Técnico: Vladimir Weiss
ITÁLIA: Marchetti; Zambrotta, Chiellini, Cannavaro e Criscito (Maggi); Gattuso (Quagliarella), De Rossi e Montolivo (Pirlo); Pepe, Iaquinta e Di Natale
Técnico: Marcello Lippi.